Cartórios: População é contra a estatização dos cartórios

18 de abril de 2016

Pesquisa demonstra que usuários estão satisfeitos com o serviço prestado pelos ofícios

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha junto aos usuários de cartórios de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte demonstra que quando se cogita a migração das atividades dos ofícios extrajudiciais privatizados para empresas privadas, 77% dos usuários são contra. A maioria dos entrevistados (80%) acredita que os custos subiriam, enquanto 70% afirmam que haverá burocracia, 69% dificuldades e 61% corrupção.

Outra questão levantada se referia à possibilidade do deslocamento de algumas atividades dos cartórios para a Prefeitura ou outros órgãos públicos. O resultado mostra que 74% dos usuários são contra essas alterações. Destes, 89% afirmaram que haveria corrupção, 87% burocracia e dificuldade, 78% insegurança e 73% elevação de custos.

Por outro lado, mais da metade dos entrevistados acreditam que alguns serviços públicos melhorariam se fossem prestados pelos cartórios. São eles: registro de empresas (63%), emissão de CPF (53%), de documento único de identidade (52%) e de passaportes (51%).

Segundo o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR) Rogério Portugal Bacellar, a avaliação positiva é reflexo do esforço da categoria para aprimorar o sistema extrajudicial e do perfil constitucional que ele ostenta, compreendendo gestão privada, responsabilidade pessoal dos titulares e fiscalização do Poder Judiciário. “Nos dedicamos constantemente ao aperfeiçoamento do sistema, investindo em gestão, capacitação e tecnologia para proporcionar ao cidadão segurança jurídica e acesso fácil, rápido e seguro às informações e às nossas atividades”, ressalta.

Universo pesquisado – 1.045 homens e mulheres com mais de 18 anos foram abordados na saída de 97 cartórios, logo após a utilização do serviço, entre 29 de outubro e 04 de novembro de 2015, em diferentes horários e dias da semana, para representar a população usuária deste serviço.

A maior parcela é composta por homens, 55% têm ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos, e 86% faz parte da população economicamente ativa. Além disso, 57% foram ao cartório para uso próprio e 32% para uso de empresa. Dentre as categorias, os mais utilizados são os de Notas e de Registro Civil, com 44% e 39% respectivamente.

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Boletim informativo Sinoreg-PR n. 15

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